domingo, 22 de novembro de 2009

Soneto de Fidelidade

"De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure."



Vinicius de Moraes

Um comentário:

Fernando disse...

Ai, Vinicius de Moraes. Esse poeta dos corações, dos arroubos apaixonados, do ir e do vir. Daquela brisa do mar que nos acalma - e faz bem à alma.